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Como a herança de Gugu virou um escândalo e qual é o papel da mídia nisso

Gugu Liberato sempre foi discreto em relação a sua vida pessoal. O pouco que se divulgou sobre a intimidade do apresentador ganhou a forma de reportagens de capa em “Caras” e em revistas e sites do mesmo gênero.

São reportagens consentidas, artificiais, com fotos posadas e relatos sobre a vida em família com Rose e os filhos ou, ainda, sobre viagens solitárias a diferentes recantos.

Não me lembro de ter lido nenhuma reportagem com notícias sobre escândalos, baixarias ou constrangimentos ocorridos no âmbito das relações privadas de Gugu. Se jornalistas souberam de situações deste tipo, não as publicaram.

Gugu era gay? Se ele quis manter a sua orientação sexual longe do público, a mídia fez bem em respeitar esse seu desejo. Nos últimos 20 anos, vários jornalistas tentaram forçar celebridades brasileiras a “sair do armário” com notas maldosas e insinuações. Gugu, até onde a minha memória alcança, escapou deste tipo de crueldade.

Não sabemos se ele tinha planos, em algum momento, de falar mais abertamente sobre a sua vida privada. Nunca saberemos, talvez. Por causa da morte inesperada de Gugu, num acidente doméstico, este grande nó está sendo desatado da forma mais atabalhoada possível.

“O maior sonho dele era viver essa relação sem preconceito por orientação sexual, viver o amor sem sofrer as consequências”, disse ao “Fantástico” o chefe de cozinha Thiago Salvático, que pleiteia o reconhecimento de união estável com Gugu. Difícil saber o que há de realidade nisso que ele diz ter sido um sonho do apresentador.

Para quem observa à distância, está claro que Gugu não quis ou não teve tempo de acomodar diferentes interesses ao redor da sua vida pessoal. Muita gente ficou ao relento. Por isso, tantos conflitos rapidamente emergiram e ganharam visibilidade na mídia.

Não culpo nenhum jornalista pelo fato de a herança de Gugu ter-se transformado num escândalo típico de tabloides. No momento em que a situação levou as diferentes partes à Justiça, o trabalho da imprensa é inescapável. E os exageros, como sempre, acontecem.

Seguindo a cartilha do “tudo pela audiência”, o “Fantástico” neste domingo (17) anunciou fartamente uma nova reportagem sobre o caso e só a exibiu no encerramento do programa.

Com a ajuda de assessores de imprensa e advogados que apreciam a exposição pública, o caso se tornou isca de audiência. Outros excessos já foram cometidos, como apontou Homero Salles, amigo de 40 anos do apresentador. Mas, mesmo os que foram sempre respeitosos com a discrição de Gugu em vida e agora se refastelam com notícias sobre o caso não têm responsabilidade maior pela situação.

Ninguém tem culpa, na verdade. Quem vê os seus interesses ameaçados – e eles são muitos e valiosos – está no direito de lutar pelo que acha mais justo. E o caso tem, por motivos óbvios, enorme apelo midiático.

É triste, mas esse assunto só vai morrer no dia em que houver um acordo entre as muitas partes envolvidas ou quando a Justiça der a última palavra sobre o assunto. Ou seja, daqui a muito tempo.

Por Mauricio Stycer
Fonte: tvefamosos.uol.com.br

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